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A mãe que veste verde

A viagem de uma família de quatro pelo mundo dos produtos naturais, ecológicos e biológicos.

A mãe que veste verde

A viagem de uma família de quatro pelo mundo dos produtos naturais, ecológicos e biológicos.

Um psiquiatra por dia, nem sabe o bem que lhe fazia.

Estava eu na fila da caixa de um supermercado, quando dois lugares atrás de mim estala uma "discussão" entre uma mãe e o seu filho de uns 2/3 anos. O miúdo queria ir embora, a mãe estava a explicar-lhe que tinham que esperar a sua vez para pagar. Dito isto, o miúdo lança-se ao chão a gritar. A mãe repreende-o e manda-o levantar-se. O miúdo continua.  A mãe ignora. Os gritos do miúdo continuam, lacinantes, a ecoar pelo supermercado. Entretanto, o miúdo levanta-se e começa a fugir para a porta do estabelecimento. A mãe larga tudo e corre atrás dele, pega no rapaz ao colo e este começa a contorcer-se como uma enguia, enquanto grita "NÃO!!!!!". Ao ver que a senhora estava desesperada, e ao ter chegado a minha vez de ser atendida, faço-lhe sinal, dizendo para as duas pessoas que estavam atrás de mim "Importam-se que a senhora passe à frente?"

 

Bem, estalou aí a valente da peixeirada. De repente fui inundada de mãos a agitar à frente dos meus olhos e gritos de duas pessoas ADULTAS e aparentemente mentalmente sãs, que diziam, indignadas, que só davam prioridade a, cito, "velhos, grávidas e bebés de colo". Ora a senhora não era nenhuma dessas coisas, e o miúdo já andava e até corria. Olhei para a senhora da caixa, que encolheu os ombros e disse "eu não posso fazer nada". Olhei para a senhora, toda corada, que me disse timidamente "deixe estar, mas obrigada". O miúdo continuava a gritar. Comecei a pousar as minhas compras no tapete, mas a peixeirada ainda não tinha terminado. Pois atrás de mim, a senhora mais velha, de uns 50 anos, dizia alto à outra, que ainda não teria 40:

 

"Já não há respeito, estas jovens agora fazem de tudo para passar à frente nas bichas. Parecem muito finas e depois é só falta de educação."

Ao que a outra responde, prontamente:

"Se o puto está a berrar, que lhe dê uma chapada, que ao menos berra com razão. Eu levei muitas e não me fez mal nenhum."

"É por falta de porrada que agora não há educação nenhuma. Nas escolas até nos professores batem."

 

Foi nesta altura que passei para o lado de lá da caixa e deixei de as ouvir. O miúdo estava agora a chorar bem alto, e abafava a voz das mulheres. Eu estava a arder por dentro. Me desculpem, mas que pessoas nojentas e surreais. Não por não terem dado o lugar, porque por vezes isso não é possível. Ou porque não nos sentimos bem, ou porque estamos atrasadas, ou seja o que for. Mas bastava um "desculpe eu até dava, mas infelizmente estou mesmo atrasada para uma consulta". Não, pessoas nojentas porque desataram a desrespeitar e insultar duas pessoas que não lhes fizeram mal algum. Surreais porque prontamente distribuíram juízos de valor sobre os outros sem terem consciência sobre elas mesmas. Este fenómeno ultrapassa-me completamente. Deve ser mais ou menos como ser um trambolho e concorrer à miss Portugal, ou cantar tão bem como eu e ir ao casting dos Ídolos. Estas pessoas vivem num mundo à parte, só delas. E nós é que temos que levar com estas merdas.

 

Porrada sim, mas era nestes adultos. 

 

 

 

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